Em semana de pós-Copa (com a perda do Brasil para a Noruega), não está fácil retomar a rotina sem pensar na derrota sofrida. E ainda mais na derrota que nem foi sofrida (ainda).
Pois a questão do fim da escala 6×1 ainda não está totalmente definida (para acabar de uma vez), muito menos a questão da Pejotização, que ainda é vista como uma forma de “flexibilizar” a jornada de trabalho.
Fora os posicionamentos horríveis (e muito questionáveis) de alguns influenciadores bolsonaristas e de direita no que diz respeito ao voto feminino (justamente em ano de eleição). Parece até que estão querendo instalar o terror da utopia de “O Conto da Aia” na vida real.
Bom, primeiro quero abordar aqui um relato bem terrível sobre a jornada de trabalho de uma profissional que infelizmente vive os péssimos efeitos da Pejotização no seu dia a dia.
Mínimo salário (mal pago)
Apesar de ter uma atuação em home office, essa profissional basicamente passa o maior desconforto e perrengue possível. O óbvio que ninguém admite, ser “sabor PJ”, as cobranças insanas de um CLT (com carga de trabalho semelhante em pleno horário comercial) e o registro de tarefas feitas, horários de entrada e saída em uma planilha maldita (para o cálculo salarial).
Um inferno, que piora: porque faltou apenas algumas horas do seu salário do mês passado, calculado de acordo com o humor de lua das pessoas (pasmem) da área financeira, sob a alegação de que “o cálculo da empresa é feito em cima da quantidade de dias úteis no mês”. E isso significa que se tiver um ou dois feriados no mês, a profissional fica com uma quantidade do seu salário reduzida (e sua rotina impactada com a falta desse valor).
O que ela registra nessa planilha, mal é visto. E mais: essas pessoas da área financeira ainda lhe explicaram que “se ela quiser trabalhar a mais para compensar o que faltou de salário, é só falar com o chefe”. Mas a profissional está sem saber o que fazer, pois só por ter cobrado o mínimo de onde ela trabalha (que é pagar a merreca ganha em PJ) ela fica receosa de ser vista como “agressiva” e ser mais uma da estatística do tal “passaralho”. É, leitoras e leitores. O puro suco do abuso e descaso.
Caça amaldiçoada ao voto feminino
Agora, vamos entender como que o discurso grotesco contra o voto feminino impacta a visão das pessoas em geral sobre as mulheres, que são maioria na hora do voto (sendo 52,8% do eleitorado, de acordo com o TSE – Tribunal Superior Eleitoral) e tem mais anos de estudo se comparado aos homens (10,3 anos de estudos versus 9,9 anos de estudos dos homens, considerando o recorte de pessoas brancas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD).
Alguns influenciadores bolsonaristas e de direita têm espalhado um argumento bem canalha, de que a culpa de toda uma situação politicamente instável e horrível é das mulheres solteiras que votam mal, porque só as mulheres casadas votam bem (por seguirem o voto do marido). E mais: tem uma influenciadora por aí que se orgulha de bostejar (ops, propagar) sua visão da Idade Média de que é contra o voto feminino, ao mesmo tempo que prega não precisar do Feminismo (e de que as mulheres deveriam fazer tudo oposto ao que esse movimento prega) e de que é preciso ter igualdade salarial. A piada já vem pronta, não é mesmo?
Não dá nem para pensar onde é que fica a consciência social e de classe dessas pessoas, rsrs. Fora que, quem é que realmente toma e faz movimentações e decisões políticas? Os homens! Eles têm toda uma estrutura e leis que os isentam de qualquer responsabilidade (mesmo a nível nacional) e os favorecem. E ainda assim, fazem política como se estivessem torcendo por uma seleção que ovaciona os (maus) feitos do desquerido Ney. Sem razão, com desequilíbrio e injustiça.
É, mulherada trabalhadora. Já está na hora de a gente ver bem o que os políticos (até mesmo os de esquerda) estão aprovando de leis, emendas e projetos. Porque a qualquer momento, os direitos conquistados como eleitoras, trabalhadoras formais e (essencialmente) mulheres podem ser tolhidos (pela pressão política e das redes sociais, de movimentos que sequer deveriam existir). E simplesmente a gente pode ser colocada de volta naquele lugar, de “geradoras” de mais mão de obra a ser massacrada por um sistema que precisa mudar. Urgentemente.
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