Quem somos
A ABTCP se destaca como uma organização que vai além das associações profissionais convencionais. Não estamos aqui para solicitar permissões ou para barganhar pequenas concessões com os empregadores. Nossa missão é combater a exploração que permeia o setor de comunicação e publicidade em nosso país.
Estamos imersos no universo das palavras, imagens, desenhos e ideias. Somos jornalistas que investigam mesmo sendo silenciados, publicitários que desenvolvem campanhas enquanto são explorados, e designers que criam identidades enquanto sua própria classe é ignorada. Reconhecemos que nossa essência — pensamento, criatividade e percepção da realidade — é extraída de nós como o petróleo do solo, e em troca recebemos salários baixos, jornadas invisíveis, assédio sistêmico e a pressão da ideia de “transformar o trabalho em paixão”.
Essa associação surge de uma certeza inabalável: a disputa de classes se manifesta também no âmbito simbólico. Se o capitalismo depende de histórias para se manter, nós devemos assumir o controle dos instrumentos que nos permitem criar a narrativa de nossa própria libertação. Não somos apenas "talentos" ou "famílias criativas" — somos uma força de trabalho intelectual constantemente em conflito com uma lógica que nos vê como custos descartáveis e sujeitos à superexploração.
Nossa entidade é de orientação marxista, pois entendemos que a solução para a precarização sistemática dos setores de comunicação e publicidade não reside no empreendedorismo individual, nem na benevolência de empregadores generosos, nem na regulamentação modesta do Estado burguês. A resposta está na nossa mobilização coletiva, autônoma e combativa, edificada a partir da base da categoria, livre de líderes traidores, ilusões e receios.
Para nós, ser classista implica reconhecer que jornalistas de redação, publicitários de agências e designers de escritórios ocupam um espaço comum na criação, uma vez que todos nós somos trabalhadores da informação e da cultura. Somos sujeitos à exploração de longas jornadas que não estão refletidas em nossos salários, enfrentamos prazos que desconsideram nosso bem-estar e saúde.