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CAMARADAS DE HOJE E CAMARADAS DE AMANHÃ;

In Manchete do dia
junho 28, 2026
Nossa Fundação ABTCP

Nunca fui afeito ao protagonismo, aos holofotes –mesmo nunca tendo estado em um palco, com os tais alumiando a presença, pois assim isto aqui, estas palavras, são para quem as estiver sob os olhos atentos a ler.

Este passo, o da fundação da ABTCP, no dia 20 de junho de 2026, é o que desejo ser lido, futuramente, como um levante.

Um levante contra as condições precárias de trabalho, a instrumentalização dos intelectos e dos corpos ao ápice do viável a ser explorado, espoliado; da falta de seguridade social que todo novo CNPJ aberto sob MEI ou ME significa ao tecido social da nossa frágil convivência; estamos trabalhando sob os bons auspícios de quem somente coloca em xeque as circunstâncias quando elas são desfavoráveis ao processo de acumulação de expropriação do lucro.

Como classe, um corpo organizado sob um viés político de transformação da materialidade do trabalho, e das subjetividades de quem trabalha, nunca, a classe publicitária, se reconheceu como tal, ou, ao menos enquanto eu participo dela por necessidades materiais salariais, nunca vi tal arregimentação ser convocada, fora dos períodos de premiações e concorrências; pois que seja um sinal da incapacidade do sistema seguir operante; dos valores, das jornadas, dos regimes contratuais, das relações desequilibradas, dos abusos contínuos e diários, da falsidade discursiva do “vestir a camisa” serem despidos de suas normatividades e refeitos; reforjar os acordos, como se derrete o aço para dar-lhe novos contornos e nova forma, a forma do desejo do nosso coletivo.

“A história se repete: primeiro como tragédia, e depois como farsa” talvez seja uma das frases mais replicadas de Marx; confesso que o pânico que a projeção do significado dessa frase apresenta é imensurável, mas também sei que esse primeiro arrepio se fará passageiro ao olhar às próprias histórias dentro da História: inúmeras lutas por sobre as quais, em seus interiores, se faz encontrar a vontade de quebrar o ciclo e as repetições descabidas; o tempo da história é outro, e a luta que fazemos hoje, ao firmar um compromisso coletivo e cooperativo, ecoa as lutas que vieram antes e formaram o chão onde hoje a gente se reúne, debate, delira, persegue e persevera, como tantas e tantos antes de nós.

Que o local seja signo, de importância e de lembrança, principalmente nos momentos mais angustiantes e quando a porta da dúvida é a única a nos puxar com força para cruzar. Fundar a nossa associação de classe na Ocupação 9 de julho traz um monumento de longevidade a uma busca por emancipação, por autonomia, por socialização e dignidade.

Parte da formação da nossa subjetividade é construída enquanto trabalhamos, e grande parte dos problemas que enfrentamos, não para a surpresa de ninguém, estão no trabalho; reconheçamos o(s) problema(s), porque só assim o interrompimento do ciclo se desdobrará; e que se desdobre de várias maneiras, com diversas mentes, críticas, visões, perspectivas, porque essa experiência, do trabalho, é coletiva, como a vida o é, e além de requerer coragem para encará-la sem desviar o olhar, se torna mais humana quando inclui, equanimiza e liberta as nossas existências.

Àquelas e àqueles que estão desde março de 2025 na estrada, celebremos e nos fortaleçamos com o marco, de muitos outros por virem, concreto do que nos conscientizamos ser uma tarefa nossa.

Àquelas e àqueles que virão hoje, amanhã ou sejá lá quando, colocamos à mesa a camaradagem, o desejo de mudança e a perseverança do dia a dia na reconfiguração material da nossa classe e do nosso trabalho; só desejamos que estejam abertos a isso.

um abraço, um beijo

glauco mažrimas

secretário de agitação e propaganda – ABTCP

Presidente da ABTCP / Publicações: 10

Presidente ABTCP - Publicitário e Estrategista Político